A segunda via de placa é a emissão de uma placa nova quando a anterior sumiu ou ficou inutilizável. Os motivos são quatro, e a norma os trata de modo parecido: extravio, furto, roubo ou dano. O procedimento é público, regulado pela Resolução Contran 969/2022, que organiza o sistema de placas, e passa pelo Detran do estado de registro e por uma empresa credenciada que estampa a placa. O CTB e a resolução foram consultados em 23/10/2026.
O texto vale para carro e para moto. A moto leva uma placa só, a traseira. O que depende do estado, como o atendimento, as taxas do Detran e o fluxo de agendamento, aparece indicado como variação por UF.
Passo a passo
O art. 25 da Resolução Contran 969/2022 abre a porta com uma regra de conveniência: no caso de extravio, furto ou roubo de qualquer das placas, o proprietário, o possuidor ou o condutor pode requerer a substituição em qualquer unidade da federação onde o veículo esteja circulando, mesmo que o registro seja em outro estado. O roteiro é este:
Registre a ocorrência, se foi furto ou roubo, e junte o comprovante. A norma não detalha esse papel, mas o Detran pode pedi-lo, e o fluxo varia por UF.
Solicite a substituição no sistema do Detran, no atendimento do órgão ou, onde houver, por canal digital. O pedido libera a estampagem no sistema de emplacamento.
Escolha um estampador credenciado. Pelo art. 17, a venda é direta ao proprietário, sem intermediários, com o preço total da placa divulgado de forma pública, clara e transparente.
Receba a nota fiscal em seu nome, como manda o art. 16, instale a placa e confira se o Detran registrou a troca.
Placa nova, padrão novo
A substituição de qualquer das placas por furto, extravio, roubo ou dano é um dos casos em que o art. 56, § 1º, inciso I, exige a PIV, que é o padrão conhecido como placa Mercosul. Quem tem a placa antiga e perde só uma delas recebe o modelo novo. O detalhe sobre quando a troca é obrigatória está na página quando trocar para o padrão Mercosul.
Comprar fora do estado
O § 2º do art. 56 permite adquirir a PIV em outra unidade da federação, mediante intermediação do órgão ou entidade de trânsito do estado de registro, nos casos de furto, extravio, roubo ou dano e de necessidade de segunda placa traseira. O parágrafo único do art. 25 vai além e inclui o veículo que está legalmente retido ou recolhido a depósito em outro município ou estado e que precisa ser regularizado para voltar a circular. Em todos esses arranjos, a comercialização continua sendo direta, e a placa é vinculada ao veículo no sistema.
Placa apenas danificada
Nem toda segunda via nasce de perda ou crime. A placa pode ficar torta, amassada, com a pintura apagada ou com o QR Code riscado. O art. 60, inciso I, alínea b, da Resolução Contran 969/2022 relaciona, entre as hipóteses de autuação, o veículo com QR Code arranhado, desgastado ou com defeito que impeça a leitura pelo aplicativo do órgão federal. Por isso, a placa que ainda está no carro mas já não permite a leitura correta dos caracteres ou do código também justifica o pedido de substituição, com o dano como motivo.
A segunda placa traseira
Outro tipo de segunda via é a segunda PIV traseira. O art. 4º a torna obrigatória em veículos com engate para reboque ou com carroceria intercambiável que possa cobrir total ou parcialmente a placa traseira. O § 1º do mesmo artigo indica que ela pode ficar no para-choque ou na carroceria, e também vale quando se transportam cargas ou bicicletas nas partes externas de automóvel, caminhonete, camioneta ou utilitário. Esse pedido segue o mesmo caminho do estampador.
Documentos exigidos
Checklist para levar ao Detran
Segunda via de placa. Lista das normas federais citadas nesta página; confira a lista final no Detran do seu estado. dcctransito.com.br, 23/10/2026.
A relação acima é o que costuma ser pedido. A resolução não traz uma lista fechada, e por isso o Detran de cada estado e o estampador podem pedir mais campos. O art. 18 da Resolução Contran 969/2022 permite ao proprietário ser representado por qualquer pessoa que apresente ao estampador uma procuração com poderes específicos. Se o estado regulamentou a atuação de despachantes e o proprietário decide ser representado, o parágrafo único admite que um documento do próprio Detran substitua a procuração.
O estampador, por sua vez, tem de registrar no sistema de emplacamento o serial do QR Code da placa usada no atendimento, o arquivo eletrônico da nota fiscal e o CPF do funcionário responsável, segundo o art. 21, inciso VII. Isso deixa um rastro de cada placa no sistema, e por isso convém comprar apenas de estampador credenciado pelo Detran, que vincula a placa ao veículo.
Prazos e multa por atraso
As normas consultadas não fixam um prazo para pedir a segunda via. O que existe é a consequência de circular sem placa ou com placa que não se lê. O art. 230, inciso IV, do CTB trata como infração conduzir o veículo sem qualquer uma das placas de identificação, e o inciso VI trata da placa sem condições de legibilidade e visibilidade. Em ambos os casos a infração é gravíssima, com multa, apreensão do veículo e remoção como medida administrativa. O art. 60 da Resolução Contran 969/2022 repete essas hipóteses para as PIV.
Na prática, convém resolver a troca antes de voltar a usar o veículo, e quem precisa levá-lo ao estampador deve perguntar ao Detran como fazer o deslocamento. Se o sistema do estado ou a empresa registrar demora, é o atendimento do órgão de trânsito que informa o prazo de entrega. Este site não apresenta valores de multa nem de taxa no texto, e o dado de taxa de cada Detran está no bloco do topo da página.
Quando contratar despachante compensa
Pedir segunda via de placa é um serviço que o proprietário costuma resolver sozinho, especialmente onde há agendamento digital. Pode fazer sentido contratar um despachante documentalista quando o veículo está em outro estado, quando há outras pendências no cadastro ou quando o dono não consegue ir ao Detran nem ao estampador. A contratação é uma escolha, e a procuração com poderes específicos é o documento que a norma exige no estampador.
Confira as duas credenciais do profissional, a do conselho e a do Detran, e peça a descrição do que será feito. A taxa do Detran é oficial e pública, e o estampador divulga o preço da placa. O honorário do despachante é livre, combinado entre as partes, e este site não o publica, como mostra a página de taxa e honorário.
A tabela de taxas por estado está em taxas dos Detrans, e a emissão da primeira placa de um veículo novo é tratada em primeiro emplacamento. O texto da norma está na Resolução Contran 969/2022.
Perguntas frequentes
Perdi a placa em viagem. Preciso voltar ao meu estado para pedir a segunda via?
Não necessariamente. O art. 25 da Resolução Contran 969/2022 permite requerer a substituição em qualquer unidade da federação onde o veículo esteja circulando, independentemente de onde ele está registrado.
A placa nova será do padrão Mercosul?
Sim. O art. 56, § 1º, inciso I, alínea b, da Resolução Contran 969/2022 exige a PIV na substituição de qualquer das placas por furto, extravio, roubo ou dano.
Posso comprar a placa em outro estado e mandar para o meu Detran?
Em dois casos, sim. O art. 56, § 2º, permite adquirir a PIV em outra unidade da federação, com intermediação do órgão de registro do veículo, nas hipóteses de furto, extravio, roubo ou dano e de segunda placa traseira.
Quem pode vender a placa?
Estampador credenciado pelo Detran. O art. 17 da Resolução Contran 969/2022 exige venda direta ao proprietário, sem intermediários, com o preço total divulgado de forma pública e transparente.
Posso rodar sem a placa enquanto espero a nova?
Não deve. O art. 230, inciso IV, do CTB trata como infração conduzir o veículo sem qualquer uma das placas de identificação, com multa, apreensão e remoção.
Fontes
Textos oficiais consultados em 23/10/2026. Os links levam ao texto integral.
- CTB, Lei 9.503/1997 (texto compilado)Art. 230.
- Resolução Contran 969/2022Arts. 4, 16, 17, 18, 21, 25 e 56.
- Tabela de taxas do Detran-PRValor de referência consultado em 22/10/2026.